O real peso do custo Brasil

O real peso do custo Brasil

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Um produto feito no Brasil é, em média, 30% mais caro do que o mesmo produto feito em países como EUA ou Alemanha. É o que aponta o estudo comparativo do chamado “Custo Brasil”, elaborado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Em 2010 e 2013, quando foram realizadas as últimas edições do levantamento, essa diferença chegava a ser 37%. Contudo, a redução não é fruto de diminuição de custos ou de medidas tomadas pelo governo brasileiro, mas principalmente da desvalorização do real frente às moedas internacionais e da queda da taxa Selic.

Para chegar ao valor do custo Brasil, o levantamento considera variáveis como os juros sobre o capital de giro, os insumos básicos, impostos não recuperáveis na cadeia, custos de logística, encargos sociais e trabalhistas, burocracia e custos de regulamentação e custos de investimentos e energia.

Por que o Brasil não pode competir com a indústria estrangeira?

A falta de competitividade da indústria brasileira não decorre de desvantagens da própria indústria com relação às concorrentes em países desenvolvidos e sim, de fatores sistêmicos. A maioria das fábricas brasileiras têm alta produtividade, mas não podem competir com suas equivalentes estrangeiras devido aos impostos, aos juros altos e às oscilações do câmbio.

O que pode ser feito para salvar a indústria brasileira?

Há 10 anos, as indústrias de formação representavam 17% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Hoje, representam 12%. A capacidade de investimento era de 18% do PIB e hoje é de 15,6%. A indústria empregava cerca de 350 mil trabalhadores em 2008. No ano de 2013, no auge da produção, a estatística chegou aos 380 mil. Em 2018, esse número caiu para 294,6 mil funcionários.

Para João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq, a redução do custo Brasil é necessária para recuperar o potencial de investimento da indústria brasileira. Segundo Marchesan, esforços do governo brasileiro em relação a esse problema não são prioridade há três décadas.

Recuperar a capacidade de competir da indústria local depende de medidas como reformas estruturais incluindo reforma tributária, fiscal, cambial, monetária e da Previdência –, uma política de inserção no comércio global e de desenvolvimento.

Leia a matéria na íntegra no Estadão: Produto feito no Brasil chega a ser 30% mais caro que o produzido nos EUA.