A desvalorização do real tem suas vantagens?

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O dólar segue em alta frente ao real nas últimas semanas, batendo recordes e chegando muito próximo a seu valor máximo histórico. Na última terça-feira (11), a moeda norte-americana subiu 1,47%, negociada a R$4,1539, renovando o maior valor do ano. Na máxima do dia, alcançou R$4,1785. Já o dólar turismo fechou cotado a R$4,3391.

Para o final de 2018, a projeção do último Relatório de Mercado Focus do Banco Central é que a taxa de câmbio fique em R$3,80. Para o ano que vem, o órgão estima que a cotação encerre em R$3,70.

A desvalorização da moeda brasileira é resultado de diversos fatores, como a incerteza eleitoral. Entre as razões, há a ameaça de uma guerra comercial entre os EUA e a China. Os analistas também consideram a crise econômica (que se deflagrou em outros países emergentes como a Turquia e a Argentina) e a alta da taxa básica de juros americana.

A desvalorização do real pode gerar efeito positivo

O dólar em alta influencia os preços de diversos produtos do dia-a-dia do brasileiro, além de afetar em peso relações comerciais e o setor de turismo. Contudo, especialistas observam que alguns aspectos da desvalorização do real podem ter consequências positivas para a economia.

De acordo com um estudo da Bloomberg Economics, o real se desvalorizou o suficiente para corrigir o déficit em conta corrente do Brasil. Apesar de não ter sido o fator principal, o déficit contribuiu para a “fuga” de investidores em relação ao real. No entanto, bastaria uma depreciação de 6% para reequilibrar a conta corrente e a moeda brasileira ter uma depreciação em termos reais de 12%.

Uma situação semelhante ocorre na Turquia. A queda da lira ao longo de 2018 foi “mais do que o necessário para fechar o amplo déficit em conta corrente do país”, segundo o relatório publicado pela Bloomberg Economics. A taxa de câmbio caiu 32% no ano, mas só precisava recuar 29%.

Outros países emergentes — como a Argentina e a África do Sul — ainda estão longe de fechar os déficits. O peso argentino precisaria de uma queda de 51% para equilibrar as contas.

Leia a matéria na íntegra na Exame: O lado bom para a economia da desvalorização do real